ÉTIENNE DE LA BOÉTIE, nasceu a 1 de novembro de 1530
na comuna de Sarlat-la-Canéda, em França. Com apenas dez
anos, Étienne, o mais novo de três irmãos, perdeu o pai, tendo a sua
educação ficado a cargo do tio paterno, que lhe instilou o gosto pela literatura
e pelo direito. Rodeado de magistrados e burgueses, interessa-
se, desde cedo, pelas ideias humanistas e pela filologia antiga, que explorou
através da tradução de vários autores clássicos, como Plutarco, Virgílio
e Ariosto. Aos 18 anos, assiste às ondas de choque decorrentes da
repressão violenta de uma sublevação popular contra a imposição de um
novo imposto aos habitantes da província de Guiana. A brutalidade do
acontecimento, que impressionou a elite intelectual da época, foi o mote
para a primeira versão de Discurso sobre a Servidão Voluntária. A obra
contra a tirania só foi publicada postumamente em 1576. Seguindo as pisadas do pai, ingressou em Direito na Universidade
de Orleães e, ainda antes de concluir a sua formação em Direito
Civil, tornou-se magistrado no Parlamento de Bordéus, dois anos antes
da idade mínima. Em 1554 foi nomeado conselheiro na mesma instituição
e casou com Marguerite de Carle, alargando assim o seu círculo social.
Foi então que conheceu Michel de Montaigne, com quem estabeleceu
uma profunda amizade pessoal e intelectual e a quem legou, em testamento,
todos os seus manuscritos. Nos anos que se seguiram, marcados
pela ascensão do protestantismo e das Guerras Religiosas, Étienne viajou
várias vezes para Paris a fim de negociar a paz em nome do rei. Nessa
altura confessou, num dos muitos poemas que escreveu, o seu desespero
e impotência perante a destruição a que assistia, bem como o desejo de
abandonar a França. Morreu a 18 de agosto de 1563, na casa do cunhado de Montaigne, ao lado do amigo. É em sua homenagem e memória que Montaigne publica, em 1580, o ensaio Da Amizade.




