Paris, 1978: Martim prepara-se para, escrevendo um diário, recuperar a memória dos tempos que viveu em Brasília. Submerso em cadernos, fotografias, folhas soltas, guardanapos rabiscados, cartas e diários de amigos, vai revivendo e recompondo os anos da sua formação, anos plúmbeos de feroz ditadura, anos auspiciosos de novidade.
Nos anos 1960, muito jovem, Martim vê os pais separarem-se. Muda-se então de São Paulo para Brasília com o pai. Na cidade recém-inaugurada, trava amizade com um grupo de adolescentes de contextos sociais e familiares diversos. Une-os um projeto cultural e a luta contra o cerco do regime. Com eles, graças a eles, vai descobrindo o amor, o sexo, a amizade, a literatura, a política e o medo.
Pairando sobre o fulgor da descoberta, nuvens negras ensombrecem a vida de Martim: a repressão política dos anos mais duros da ditadura e a dor da separação da mãe. O pai, com quem vive uma relação fria e intermitente, não basta para preencher o vazio aberto pelas cartas que a mãe não lhe escreve, pelos gestos de amor que não lhe estende, pelo reencontro sempre adiado. O fardo desta ausência pesará sobre Martim mesmo quando procurar o consolo no exílio em Paris.
Num magistral romance de formação, primeiro de uma trilogia aclamada pela crítica, Milton Hatoum transita com a habilidade que lhe é própria entre as dimensões pessoal e social do drama e faz de uma rutura familiar a outra face de um país dividido.
Os elogios da crítica:
«Hatoum imprime urgência à narrativa de tempos conturbados, equilibrando ocorrências familiares e acontecimentos históricos de tal forma que estes espelham aquelas e vice-versa. […] O amadurecimento de Martim se dá no vácuo do lar implodido e à sombra da brutalidade ditatorial, no útero da metastática República, que ainda hoje insiste em devorar seus cidadãos. A noite da espera aponta para a continuidade do “inverno do nosso descontentamento”.»
André de Leones, Estado de São Paulo
«Milton Hatoum volta com um romance potente, que remexe a história política dos anos sinistros da ditadura, ao mesmo tempo que vasculha infernos íntimos de uma história de família.»
Maria Esther Maciel, Folha de São Paulo
«Um belo romance. [..]. O gesto de resistir caminha de modo paralelo àquele de narrar – e a esse chamado a narrativa de Hatoum responde com um sonoro “sim”.»
Stefania Chiarelli, O Globo
«Uma construção surpreendente […] Um magnífico romance.»
Correio Braziliense
«A atmosfera de erotismo, política e cultura aproxima o livro de Hatoum do clássico A educação sentimental, de Gustave Flaubert. […] A trilogia de Hatoum poderá ser a grande obra de reflexão – com fôlego narrativo e atraente ao público, que se esperava na literatura brasileira contemporânea. Não se trata mais de denunciar violências da ditadura militar mas sim de refletir sobre o que restou dos tempos sombrios e o que não se consegue sepultar de vez.»
Enio Vieira, Estado de Minas
«Como um Raduan Nassar do Norte, Hatoum reflete sobre a opressão familiar, a imigração libanesa e a memória por meio de uma prosa límpida e ritmada, que corre caudalosa e triste, como um rio amazónico. […] A noite da espera não é apenas mais um romance sobre a ditadura. É um romance de formação. Uma história sobre a passagem da ingenuidade à vida adulta, da juventude ao desencanto.»
Ruan de Sousa Gabriel, Época