Rebecca K Reilly publicou o seu primeiro livro, Greta e Valdin, em 2021. Multipremiado e muito aclamado, esteve três anos top 10 da Nova Zelândia e não tardou a tornar-se um bestseller internacional. Falámos com a autora sobre a inspira e que dificuldades encontrou pelo caminho.
O que te inspirou a escrever Greta e Valdin? Houve algum momento ou experiência na tua vida que deu origem a esta história?
Escrevi este livro num contexto muito específico. Venho de um país que dá pouco valor à arte e à literatura e em que o ponto de vista mais comum é que os livros nacionais são de pior qualidade que os estrangeiros. Quando estive na Islândia, fiz uma tour onde o guia turístico disse que não valia a penar ver cinema islandês, porque é sempre deprimente e triste. O mesmo acontece com a literatura neozelandesa. No entanto, acreditei que podia fazer algo diferente, por isso, trabalhei muito para o fazer acontecer.
No livro, as personagens navegam emoções muito complexas. Como é que escreves estas experiências emocionais de maneira tão autêntica? Há algum aspeto que seja baseado na tua experiência pessoal?
Acho que, dentro do género do realismo social, os autores têm de separar do enredo o mais possível. Há muitos géneros que se guiam por enredos fantásticos, mas o realismo social tem maior capacidade de estudar personagens humanas, que é o que eu tenho interesse em fazer. Então, é importante para mim dedicar mais tempo de pesquisa e preparação aos detalhes da personalidade de cada personagem e a imaginar potenciais conflitos consigo próprias, umas com as outras, ou com a sociedade.
Que desafios encontraste a escrever Greta e Valdin? Houve algum tema especialmente difícil de encarar?
Os aspetos técnicos da escrita não me causam grande transtorno, mas foi difícil escrever livremente, sem me importar como é que o público responderia ao texto. No final da década de 2010s, quando eu escrevi este livro, houve um momento na literatura inglesa em que os leitores interpretavam ficção e as opiniões das personagens como sendo uma representação da política pessoal do autor. Isto levou-me a escrever de maneira muito contida, porque tinha medo de ser alvo de crítica, por escrever sobre relações com grandes diferenças de idade, ou sobre pessoas com géneros e contextos diferentes do meu.
Greta e Valdin aborda temas de identidade, amor e autodescoberta. O que é que esperas que os teus leitores aprendam, depois de ler o livro?
Acho que cada leitor traz para um livro as suas próprias experiências e perspetivas que estão, claro, completamente fora do alcance do autor. Aquilo que cada leitor retira da mesma leitura é muito diverso e isso é que é interessante.
Greta e Valdin explora o ser-se queer, o amor, o colonialismo, o karaoke e a constatação perturbadora de que os nossos pais também têm um passado, de uma forma que fará os leitores rir, chorar e apaixonar-se por todos nesta família tão particular.
«A voz de Reilly é deliciosamente confiante.» The Times