A coleção Mistério Juvenil da Nuvem de Letras reaproxima os mais novos do género policial, através de histórias com jovens detetives que seguem as pisadas dos mais icónicos investigadores de todos os tempos. Falámos com a criadora de Aggie Morton, uma série inspirada numa jovem Agatha Christie e no seu amigo belga Hector Perot. Admiradora de Miss Marple, «nadadora, viajante e artista» e quase avó, Marthe Jocelyn delicia-nos com enredos ambientados no início do século XX, quando a rainha do mistério, nascida em 1890, haveria ainda de imaginar mortes no Nilo, crimes no Expresso do Oriente e detetives que ficam para sempre.
Quem é Marthe Jocelyn? Pode falar-nos um pouco sobre si e sobre a seu percurso?
Tem sido um percurso bastante longo, uma vez que completei setenta anos este ano! Vivo no sudoeste de Ontário, no Canadá, numa casa que originalmente pertencia aos meus avós. Isto depois de ter passado trinta anos na cidade de Nova Iorque, onde tive uma pequena empresa de design de brinquedos e criei duas filhas antes de escrever o meu primeiro livro. A minha educação formal terminou no liceu, mas eu era/sou uma leitora voraz e, como introvertida, uma observadora atenta das pessoas que me rodeiam e dos espaços que elas criam para si próprias. Sou nadadora, viajante e artista. Adoro escrever ao ar livre com a brisa na cara. Estou prestes a ser avó pela primeira vez.
Esta coleção celebra a rainha do mistério, Agatha Christie, e os ambientes dessa época. Porquê esta escolha?
Sabia que queria tentar escrever um mistério, o que significava que precisava de uma excelente detetive infantil. Já existiram várias versões de um Sherlock Holmes rapaz, e parecia estar na altura de uma rapariga que partilhasse algumas características com uma Agatha Christie jovem e imaginária. Como ela nasceu em 1890, foi uma escolha natural situar os livros em 1901-1902, quando tanto a Christie como a minha Aggie tinham acabado de fazer doze anos. Fiquei satisfeita com a ideia de que ela conhece um rapaz belga chamado Hector Perot, que se tornaria o seu parceiro de investigação (e – a nível metalinguístico – a inspiração para a sua própria criação mais famosa). Adorei explorar a infância de Christie em busca de pessoas, lugares e anedotas que pudessem ter influenciado as suas personagens, cenários e histórias.
Qual é o seu detetive ficcional favorito e porquê?
Tenho um grande carinho pela Miss Jane Marple – por isso criei a personagem da Avó Jane nos livros da Aggie Morton como uma homenagem a ela. Miss Marple presta atenção aos mais pequenos detalhes, aprecia o valor da tagarelice, é frequentemente muito engraçada e autodepreciativa. E, mais importante, ela tem sempre – educadamente – razão.
A série Aggie Morton foi aclamada pela crítica. Que reações recebeu dos jovens leitores?
Os jovens leitores com quem falo são, geralmente, os que adoram os livros. Alguns até me enviaram fotos vestidos de Aggie ou Hector para o Halloween. Uma agradável surpresa foi constatar que, sendo Agatha Christie popular há mais de cem anos, os seus livros têm fãs de todas as idades. Recebo mensagens de avós e pais que leem os livros da Aggie como forma de partilhar, através de gerações, o amor pela rainha original do mistério.
Qual é o fascínio intemporal das histórias de mistério?
Porque é que os mistérios são favoritos universais? Passo a explicar… Uma forma segura de experienciar uma onda de medo. Um enigma engenhoso a ser resolvido. Algumas horas de entretenimento envolvente. Um mundo onde espiar e ouvir conversas alheias — a curiosidade — é celebrado. Uma provocação para o leitor refletir sobre o que faria em circunstâncias stressantes semelhantes. Uma série intrincada de calamidades e pistas falsas que terminam com um desfecho perfeito. E tudo isto sem que nós próprios enfrentemos o perigo. O cenário pode não ser restaurado ao que era, mas o desfecho é satisfatório.
Para além das histórias de mistério, que outros géneros de livros escreve?
Já publiquei 52 livros, desde álbuns ilustrados (também sou ilustradora) a livros de artesanato, não-ficção e romances para leitores infantojuvenis. Quando comecei, estabeleci como objetivo pessoal escrever um livro de cada género para crianças – e estou quase lá! (Ainda falta ficção científica e livros para leitores iniciantes…)





