Das folhas das árvores
Para as folhas dos livros
Passa a poesia que nos ensina a ser livres
(Mão Verde)
Começa numa folha de papel, papel que já foi árvore, árvore livre, com folhas ao vento, e no papel podemos escrever a liberdade. Folha da árvore, folha de papel, liberdade. Que tríade bonita. É assim o Herbário — um passeio poético pelo jardim, a mais recente obra de Capicua, com as belíssimas ilustrações da Carolina Maria.
Não há como negar, nem aqueles que têm medo das abelhas, das vespas, das cobras, dos escaravelhos, um passeio num jardim, um passeio no campo, é engolir a liberdade. É correr de mão dada com ela, sentir-lhe o pulsar no vento que despenteia a flores e as folhas, recebê-la quando nos deitamos na erva macia ou na relva cortada e nos deixamos ficar a olhar para o céu com o único objetivo de perceber se aquela nuvem parece um pato ou coelho.
Com as ilustrações coloridas da Carolina e as palavras bonitas da Capicua, conseguimos sentir o perfume doce do Jaracandá e do Rododendro, espirramos com o pólen da Acácia, sentimos o Natal nos ossos ao ler sobre o cedro e descobrimos que uma Roca-de-velha é uma flor.
Um livro que também é um passeio é coisa de admirar. Um livro que é um passeio e que quase canta, é de bater palmas e pedir bis. Cada página um poema e uma planta, cada página uma aprendizagem e – quem sabe? – um sonho. O sonho de dormir uma sesta no jardim, de apanhar folhas a caminho de casa, de estudar a natureza ou descobrir a flor mais bonita do parque. O sonho de ser livre e de gritar do cimo de uma árvore que não nos deixa cair.
Diana Garrido, editora





