A Nuvem de Letras dá início à publicação da série O meu nome é Goa, um enorme sucesso da autora espanhola Míriam Tirado. A história acompanha o quotidiano de uma pré-adolescente cujos pais acabam de se separar. A escritora, que é também jornalista e consultora de parentalidade, acredita que a leitura torna os jovens mais conscientes.
O que te levou a criar esta coleção?
Percebi que não existia literatura realista atualizada para esta faixa etária que se focasse no tema emocional e na transição da infância para a adolescência, e quis explorar este assunto.
Quem é a Goa?
A Goa é uma menina de 12 anos (no livro n.º 1) que viveu recentemente a separação dos pais e está muito abalada emocionalmente. Inspira-se na forma como eu me sentia na idade dela, sendo também filha de pais divorciados e passando pela transição da infância para a adolescência.
A coleção tem feito enorme sucesso em Espanha. A que achas que se deve tamanho êxito?
Segundo o que os meus leitores me dizem, sentem uma forte ligação com as histórias, aprendem coisas que podem aplicar na sua própria vida e ficam completamente cativados. Devoram os livros, dizem que estão viciados… mas como é maravilhoso quando os livros criam esta sensação de imersão, de não conseguir parar de ler e não querer que acabe!
Quais são as principais temáticas em evidência nas histórias?
Por um lado, existem as experiências emocionais. Tenho muito interesse em que as pessoas vejam o que as personagens sentem e como lidam com as suas emoções. Mas também aborda a amizade, as relações entre pais e filhos, a relação consigo mesmo, os medos, as expectativas, as turbulências emocionais ligadas ao amor, e assim por diante.
Em que medida a leitura pode ajudar nos desafios da adolescência?
Acho que é muito benéfica: por um lado, mantém as crianças longe dos ecrãs, o que é ótimo nesta idade. E mostra-lhes um mundo com o qual se podem identificar, e depois podem aprender e aplicar o que leram às suas próprias vidas, tornando-se mais conscientes do que se está a passar com elas e de como lidar com isso.
Os rapazes também leem estas histórias, conseguem encontrar pontos de referência?
É claro que escrevo para toda a gente, não apenas para raparigas. E há personagens principais masculinas, porque também gosto de me colocar no lugar delas.
De que forma podemos ajudar os rapazes a lidar com a pressão dos influencers da manosfera? Autores, professores, psicólogos, pais, como podemos lidar com este retrocesso?
Em primeiro lugar, precisamos de estar cientes dos danos causados pela exposição a determinados conteúdos em idades muito jovens. Em seguida, devemos estabelecer limites claros para o tempo de ecrã e o conteúdo exibido, especialmente para crianças com menos de 16 anos, particularmente no que diz respeito às redes sociais. Sabemos como as redes sociais afetam o cérebro, a autoimagem e outros aspetos da vida destas crianças, por isso, os adultos que com elas convivem precisam de estar cientes de tudo isto para melhor as apoiar. E incentivá-las a ler é uma ótima forma de as proteger e de ampliar os seus conhecimentos e competências de pensamento crítico.
A coleção Goa também chegou às escolas, certamente. Qual tem sido a receção por parte dos professores?
Muitos professores dizem-me que ficam impressionados ao ver os seus alunos a levar os seus livros para o recreio: mesmo durante o intervalo, quando poderiam estar a fazer outras coisas, preferem continuar a ler. Dizem que há muito tempo que não viam pré-adolescentes e adolescentes tão absorvidos numa série. 🙂
Nas livrarias a 25 de maio






