Esta é uma história de separação, mas não é uma história de mulheres que choram pelos cantos da casa ou de homens que redundam em clichês. Elvira Vigna, escritora avessa ao linear e categórico, constrói uma trama de infidelidades e jogos de poder, e um mapa das deslocações de uma mulher que procura — geograficamente, intimamente — o lugar de si, na sua solidão, no seu vazio, naquilo que apenas a ela pertence. Esta mulher chama-se Valderez. Os homens à sua volta são Paulo, com quem partilha a cama, e Pedro, com quem partilha Molly, a mãe. Molly, e a sua história de menina do interior abusada pelo patrão, será o foco de uma viagem ao passado. Paulo, amante de Valderez, será loucura e dispersão.
Por escrito debruça-se sobre corpos que se encontram em camas de lugares diferentes, de uma fazenda ao Rio de Janeiro, de Paris a São Paulo: por vezes, debruça-se como alguém que olha o mundo a partir de um varandim; outras vezes, como alguém que se lança num túnel sem luz. Um romance atravessado pelo sexo e pela memória, como duas faces de uma única moeda.
Os elogios da crítica:
«Labiríntica e antissentimental, Elvira Vigna nos mantém vidrados na sua ironia e no retrato mordaz da natureza humana que desenha com as palavras.»
Mariana Salomão Carrara
«Elvira Vigna é única em vários sentidos. Como pessoa, ela não transige, não faz concessões, é muito coerente com o que acredita, é muito feminista, muito de esquerda, é firme na ideia de uma literatura literária, não feita para venda, mas para transformar. […] Como escritora é a mesma coisa. O texto dela tem uma potência, diz exatamente aquilo que pensa.»
Noemi Jaffe
«Qualquer tentativa de classificar, relacionar ou demarcar a obra de Elvira Vigna parece fadada ao fracasso — e isso porque Vigna é uma autora destinada a influenciar de maneira direta as próximas gerações. […] Dentro da literatura brasileira, não há quem se iguale ou se aproxime dela.»
Folha de S.Paulo
«Num momento em que a inteligência e a sofisticação estão sob ataque, a leitura da obra de Elvira Vigna é um verdadeiro ato de resistência. Inquieta, ousada, contundente, corrosiva.»
Estado de Minas
«Vigna se debruça sobre relações entre homens e mulheres sem um pingo de sentimentalismo. Seu método, na linguagem, procura enfocar a migalha do relacionamento em vez de se preocupar com o sabor ou o mofo do pão de cada dia amoroso. […] Não é agradável. Mas Elvira Vigna não quer ser agradável. Ela quer é enfiar um cisco no seu olho.»
Cult
«Nada sobra em Elvira Vigna. Tudo é exato para descrever a estupidez tediosa de se estar aqui e agora. Em seus livros, não há uma hierarquização entre narrador e personagem. Ambos não sabem o que vai acontecer, por isso hesitam, parecem bobos. Contam e vivem porque têm de fazê-lo.»
Suplemento Pernambuco