Em 2020, 35 mulheres morreram em contexto de violência doméstica em Portugal, 19, vítimas de femicídio.
Beatriz Lebre foi uma delas.
Na noite de 22 de Maio, um colega do curso de mestrado dirigiu-se à casa de Beatriz e, quando ela lhe abriu a porta, agrediu-a brutalmente com um bastão. Depois, transportou o corpo na bagageira do carro e deitou-o ao rio Tejo. Foi o que noticiaram os principais meios de comunicação.
Não chegou a haver julgamento. Um mês e meio depois, o alegado autor do crime suicidava-se na cadeia.
Este livro, escrito por uma mãe em luto, procura recuperar memórias, numa tentativa de tornar a existência da fi lha mais longa em livro do que na vida real, alertando em simultâneo para a violência crescente contra as mulheres, flagelo que, de dia para dia, ameaça cada vez mais as sociedades ditas desenvolvidas.
Os elogios da crítica:
«Este livro comoveu-me profundamente. Não só por ter conhecido a Beatriz – uma jovem brilhante e luminosa -, mas por sentir que o livro a representa tão bem. Existe, nestas páginas e na memória que deixou em todos os que a conheceram, um reencontro feliz.
Escrito com sensibilidade, lucidez e um talento literário invulgar, a autora criou uma obra maior, que transcende um mero relato dos acontecimentos. Em vez de procurar explicar o inexplicável, Paula Lebre escolhe um caminho muito mais difícil: mostrar como é possível seguir em frente depois de uma tragédia inultrapassável.
O resultado é uma lição comovente sobre a empatia, o sentido da vida e sobre a coragem necessária para a aproveitar.»
Filipe Melo (músico, realizador de cinema e autor de banda desenhada)
«Um ensaio profundo e profundamente honesto, de uma autenticidade desarmante e de uma verticalidade moral sem falhas, que encara e assume a tentação de responder ao mal com o mal, para rejeitar reiteradamente essa resposta. Paula honra Beatriz mostrando-lhe que não deixa destruir o mundo de amor, luz, livros, filmes e música em que a criou – e em que Beatriz a criou, também. Porque nós somos tão criados pelos nossos filhos como eles são criados por nós.»
Inês Pedrosa (escritora e jornalista)