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A vida oculta de Fernando Pessoa: «morrer é só não ser visto…»

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Com selo da Iguana, esta nova edição de uma banda desenhada já icónica quer conquistar novos leitores, em especial os jovens que estudam a obra de Fernando Pessoa. Misturando a realidade e a ficção, o prosaico e o sobrenatural, esta narrativa original propõe uma leitura para a origem dos heterónimos ao mesmo tempo que introduz o leitor no mundo multifacetado e fascinante do poeta português.

 

«Existir como eu existo»

Portugal e Brasil cruzam-se nesta obra com argumento do professor, editor e tradutor André F. Morgado e ilustrações do brasileiro Alexandre Leoni. Na nota final os autores desvendam o processo criativo que procurou conjugar a vida e obra do poeta, a sua ligação ao esoterismo e a expetativa do público em relação ao seu imenso legado.
Com base em dados históricos, mas também com muita liberdade criativa, a narrativa procura explicar a questão que mais debate suscita em Fernando Pessoa, ou seja, a heteronímia.

 

«Não sei quem sou, que alma tenho»

Ambientada na Lisboa do início do século XX, esta banda desenhada, publicada pela primeira vez em 2016, é também uma homenagem ao escritor, nascido a 13 de junho de 1888. O momento escolhido para o arranque da história é o dia 24 de julho de 1893, quando o pai de Fernando morre de tuberculose, não sem antes de lhe deixar uma carta que transmite o legado de uma sociedade secreta à qual pertencem os homens da família.
Demasiado novo para apreender o sentido dessa missiva, será, no entanto, nesse momento, e posteriormente com a morte do irmão bebé, que Fernando começa a forjar o seu destino…

 

«Por que fiz eu dos sonhos a minha única vida?»

Depois de uma infância passada na África do Sul, o jovem regressa a Lisboa em 1905 e aí tem início a sua «vida oculta», como membro da sociedade secreta que se dedica ao extermínio do mal, aqui representado pela mitologia dos mortos-vivos.
A narrativa desenvolve-se de forma intensa e misteriosa, integrando a vida e os textos do autor num conjunto equilibrado que tanto suscita curiosidade como presta uma bela homenagem.
Conhecemos sucessivamente o encontro do poeta com os universos de Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, personagens reais que deixam as suas memórias, segredos, mágoas e marcas.

 

«Nunca ninguém se perdeu. Tudo é verdade e caminho»

No final da história, nenhum leitor sai incólume. Quem desconhecia vida e obra de Fernando Pessoa arrisca-se a querer saber mais, a procurar a origem e o todo dos versos dispersos pelas páginas.
Os leitores já iniciados, e até os grandes conhecedores, irão encontrar prazer nesta fantasia recheada de aventura, emoção e sensibilidade.
«Talvez esta vida tenha um propósito múltiplo de combinar a realidade com aquilo que nos completa.»

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