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«É importante conhecer o lado humano dos nossos Presidentes»

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A poucos dias de elegermos a nova figura maior do Estado, visitámos os bastidores do livro Sim, Sr. Presidente! (ed. Booksmile), que é como quem diz, falámos com a autora e a ilustradora deste guia que viaja pelos rostos (muitos com bigode!) da nossa República, para ajudar pais e educadores na transmissão de conhecimento histórico. Como nos conta Paula Fernandes, a autora do texto, para cada Presidente foi preciso encontrar o tom e o balanço entre o lado humano e a vida política. E saber encontrar a distância, mesmo se alguns estão ainda tão próximos, como revela a ilustradora Sara Paz. Fica por desvendar o desenho do rosto que iremos eleger a 18 de janeiro ou, possivelmente, só a 8 de fevereiro. Terá bigode?

 

Como escolheste o que contar sobre cada presidente? Que critérios usaste para equilibrar rigor histórico com uma linguagem simples e apelativa para crianças e jovens?

Paula Fernandes: Como este é um livro didático e de não-ficção, obviamente que o rigor histórico e a objetividade têm de lá estar. Para cumprir esses requisitos é importante a seleção de boas fontes informativas como os dados oficiais disponibilizados pela Presidência da República e outros estudos históricos e biografias já existentes. O primeiro passo antes de começar a escrever foi procurar informação, conciliar aquilo que já conhecia sobre os presidentes e as suas vidas, com outros dados recolhidos de fontes oficiais. Depois, selecionar essa informação e separá-la em dois conjuntos: a vida privada e o exercício do cargo. E aí deparei-me com os verdadeiros desafios: com tanta coisa disponível, o que selecionar para contar às crianças e jovens? Que género de informação lhes pode interessar? Como colocar de lado as minhas próprias percepções e simpatias relativamente ao trabalho desenvolvido por cada Presidente da República?
Procurei escrever sobre as ações mais significativas sobre cada Presidente e o seu mandato, aliando a informação fidedigna e, digamos, mais séria, com as curiosidades. O que aconteceu em particular naqueles anos (uma visita oficial especial, uma guerra, um evento político importante)? Que caraterísticas distintivas determinado Presidente tem? Por exemplo, duvido que jamais alguém se esqueça da disponibilidade do Presidente Marcelo para tirar as famosas selfies. Considero que isto contribui para captar a atenção dos miúdos.
Relativamente à linguagem, os adjetivos utilizados na pergunta são certeiros. Uma linguagem simples, apelativa, direta e com frases curtas chega rapidamente à faixa etária para a qual o livro é direcionado. Depois, a consolidação daquilo que é lido com uma pequena atividade parece-me uma boa forma de incentivar as crianças a saber mais.

 

Como foi o processo de transformar figuras políticas em personagens visuais próximas dos leitores? Houve algum presidente particularmente difícil de ilustrar – e porquê?

Sara Paz: O processo de ilustrar estas figuras tão proeminentes da nossa história passou muito por pesquisar imagens (sobretudo dos retratos oficiais do Museu da Presidência) e desenvolver os esboços de forma a que as figuras ficassem reconhecíveis, através dos seus traços gerais e de detalhes mais icónicos: nariz, bochechas e TANTOS bigodes… mantendo uma linguagem coesa e as figuras apelativas para a faixa etária a que se destina o livro.
Senti, sem dúvida, o peso da história ao fazer estas imagens (e aprendi imenso!). São figuras importantes da nossa política e tentei fazer jus a todas elas. O mais difícil para mim foi a ilustração do presidente Mário Soares, não tanto pelos traços físicos (que são tão característicos) mas porque foram as primeiras eleições de que me recordo e que foram vividas intensamente em minha casa e, por isso, senti uma grande responsabilidade na forma como seria representado.

 

Durante o trabalho, descobriram algum episódio ou curiosidade sobre um presidente que não conheciam e que vos surpreendeu? Podem partilhar um exemplo?

Paula Fernandes: Adorei a história de amor entre o Presidente Costa Gomes e a sua esposa Maria Estela. Numa visita ao amigo e pintor Henrique Medina, Costa Gomes viu uma pintura no seu atelier intitulada «Noiva de Viana». Ficou deslumbrado com aquela figura feminina vestida com os trajes nacionais das mordomas de Viana do Castelo, de tal modo que intercedeu junto do amigo para que os apresentasse. Pelos vistos o encontro correu muito bem e frutificou, porque casaram e tiveram um filho. O Presidente, de forma carinhosa, tratava a esposa por «Estelinha».
Acho delicioso que possamos conhecer o lado mais humano – o das emoções, da família, do amor – do homem com o cargo mais importante da República Portuguesa.

Sara Paz: Descobri muitos! A minha curiosidade favorita talvez tenha sido a de que o presidente Costa Gomes conheceu a sua futura mulher através de uma pintura feita dela pelo seu amigo pintor Henrique Medina.

 

Que conversa gostavam que este livro despertasse em casa ou na sala de aula? Se uma criança vos viesse falar depois de o ler, o que gostariam muito de a ouvir dizer?Paula Fernandes: Despertar o interesse pelo conhecimento da História é, para mim, um objetivo a atingir com os meus livros. É uma área fundamental para sermos cidadãos conscientes e interventivos no mundo que nos rodeia. Sabermos quem somos, de onde vimos e para onde podemos ir, é absolutamente essencial.
Por esse mesmo motivo se uma criança viesse ter comigo e me dissesse que afinal a História não é uma “seca” e que tinham aprendido algo sobre o facto “a”, o acontecimento “b” ou a pessoa “c” e que isso tinha despertado o interesse para saber mais, o meu dia já estaria ganho!

Sara Paz: Gostava que despertasse conversas acerca da importância da democracia, do voto, da liberdade de escolha. Gostava muito que me dissesse que um diria iria sem dúvida votar (e que gostou muito dos meus desenhos! ahah)

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