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Filipa Amorim: “Um escritor inspira-se sempre no que o rodeia”

Chegou esta semana às livrarias A Casa da Falésia, o novo thriller de Filipa Amorim e o terceiro volume da saga de Santa Cruz. Conversámos com a autora sobre o livro e o processo de escrita.

 

De onde surgiu a inspiração para o enredo d’A Casa da Falésia?

R: Surgiu de um ‘e se?’ associado a algo por que quase todos passamos, mais cedo ou mais tarde: o momento em que somos apresentados à família da pessoa que amamos. Um dia, a meio de uma conversa com uma amiga que estava a passar por essa fase, passou-me pela cabeça: «queremos sempre que os nossos futuros sogros nos recebam de braços abertos para vivermos todos um conto de fadas… mas e se acabar por se tornar um pesadelo?». E, como costuma acontecer, esta semente começou a ramificar-se na minha mente até não me restar alternativa a ter de me sentar para escrever a história dos Saavedra.

 

No centro deste livro está a família Saavedra. Que membro do clã foi mais desafiante de escrever?

R: Penso que todos me desafiaram, por diferentes razões. São uma família muito diferente da minha, por isso questionei muito, ao longo da escrita, os motivos para fazerem o que fazem, as raízes das dinâmicas que têm entre si. Diverti-me muito a revelar o que esconde a camada superficial de verniz desta família aparentemente perfeita, mas que está tão longe de o ser. À primeira vista, o patriarca, o Gustavo, é o puro homem de negócios, frio e calculista, a matriarca, Madalena, é a dona de casa perfeita, mãe extremosa e esposa dedicada, os filhos, Vasco, Sebastião e Camila, são diferentes entre si, mas todos ambiciosos a nível das carreiras… mas, sob este exterior intocável, há mentiras e segredos antigos e um passado que não deveria vir à tona, mas que eu não podia deixar enterrado.

 

A história é pura ficção, ou tem o seu quê de realidade?

R: «A Casa da Falésia» é uma obra de ficção, tal como os meus dois livros anteriores, mas é natural encontrar-se semelhanças com a realidade. Um escritor inspira-se sempre no que o rodeia, nas histórias que vai ouvindo, noutras obras dentro do género que escreve, para tentar criar personagens e enredos credíveis.

 

Houve algum capítulo ou momento particularmente difíceis de escrever?

R: Houve vários, até, mas os capítulos finais, o crescendo de tensão até à cena de maior ação e adrenalina, foram maravilhosos de escrever. Difíceis, pela necessidade de gerir o ritmo da descrição e da narração, porque há muita coisa a acontecer a uma velocidade vertiginosa e há que garantir que se fecham a tempo todas as pontas abertas na história, mas foi maravilhoso. Uma corrida contra o tempo que eu própria vivi de coração nas mãos, e espero que o leitor fique tão agarrado às páginas como eu estava enquanto as escrevia.

 

Quando é que decidiste o final da história?

R: É engraçado, neste livro, pela primeira vez, o início e o fim surgiram ao mesmo tempo! Sentei-me a escrever os primeiros capítulos e os últimos de seguida, e depois dei um passo atrás e pensei «OK, agora preciso de perceber como ligar os pontos A e Z». Foi um processo entusiasmante porque nos livros anteriores só tinha começado com as sementes das ideias, não vi logo o final, por isso aqui tive de me desenvencilhar para os ligar sem deixar pontas soltas, respostas por dar ou linhas narrativas inacabadas.

 

Este é o terceiro volume da saga de Santa Cruz. Qual é a relação com os dois livros anteriores?

R: As três obras são «stand-alones», no sentido em que podem ser lidas em separado e até sem se seguir a ordem de publicação, porque não se apanham spoilers dos livros anteriores. Contudo, é melhor para o leitor começar pel’A Corrente, onde conhece algumas personagens que vão entrar nos três livros, como os inspetores da Polícia Judiciária, a equipa da GNR e a jornalista Leonor Marques, e acompanhá-los a partir daí. Além disso, conhece diferentes perspetivas da própria vila, do clima e das praias ao longo dos três livros, porque quis que, no fim, ficasse a sensação de se ser quase um residente honorário deste universo.

 

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