Girl on Girl, de Sophie Gilbert, é uma investigação crítica sobre a forma como a cultura popular — cinema, televisão, música, celebridades, imprensa e internet — construiu e vendeu imagens de feminilidade, desejo e identidade ao longo das décadas de 1990 a 2010. O título é provocador e deliberado, aponta para representações de mulheres feitas para consumo, muitas vezes mediadas por o olhar masculino, por o mercado e por mecanismos de poder. O livro questiona como essas imagens moldaram nossa compreensão do que significa “ser mulher”, o que é desejável e aceitável, e como a cultura pop se tornou, simultaneamente, espaço de libertação e de aprisionamento.
Mais do que uma história da misoginia mediática, este livro é uma arqueologia do desencanto. Gilbert mostra como a promessa de emancipação feminina foi, tantas vezes, sequestrada por uma lógica comercial que confundiu liberdade com hipervisibilidade e objectificação com escolha. Como escreve a autora, «O que vemos, ouvimos, lemos, vestimos, escrevemos e partilhamos determina, em grande parte, a forma como interiorizamos e projetamos o nosso valor». A frase resume bem a ambição deste ensaio: compreender como a cultura molda não só aquilo que vemos, mas também aquilo que julgamos merecer.
Sophie Gilbert é uma das mais reconhecidas críticas culturais da atualidade, escreve na The Atlantic, venceu o National Magazine Award for Reviews and Criticism e foi finalista do Pulitzer de Crítica. Girl on Girl tem sido saudado como «um tour de force da crítica cultural» (Publishers Weekly) porque nele há inteligência crítica, mas também uma atenção rara ao modo como a cultura se infiltra na intimidade e deixa marcas duradouras.
Girl on Girl é um ensaio elegante, perspicaz e profundamente atual que desmonta a forma como a cultura pop nos ensinou a ver — e a consumir — as mulheres, e o que isso fez às próprias mulheres. Um livro necessário para compreender como chegámos aqui e para pensar, com mais lucidez, aquilo que ainda está por transformar.
O que vemos, ouvimos, lemos, vestimos, escrevemos e partilhamos determina, em grande parte, a forma como interiorizamos e projetamos o nosso valor.
Amaia Iglésias, editora





