«Da minha mãe, só tenho duas fotografias a preto-e-branco. […] Escrevo este livro para que a minha mãe se torne real.»
Mais de cinquenta anos depois de ter sido misteriosamente abandonada, Maria Grazia Calandrone parte em busca do seu passado. Percorre os lugares onde a mãe viveu, recolhe testemunhos, mergulha em arquivos, analisa fotografias, cartas, objetos. Reconstrói, assim, a vida de uma mulher ostracizada por se ter apaixonado por um homem a quem não estava destinada, numa época que condenou ambos à morte mais trágica. Lucia foi uma rapariga pobre, mas indomável, sem estudos, mas decidida, rejeitada pela família, mas amorosamente dedicada. Antes de morrer, cuidou para que a sua filha tivesse outra sorte. Como foi?
Narrativa de rara beleza, Escrito com sangue na água é uma viagem a águas fundas: à condição indigna das mulheres do povo, às feridas do pós-guerra, aos dogmas do catolicismo e aos restos do fascismo, mas também ao território da paixão, da resistência, da memória e do amor materno. Uma viagem tão íntima quanto política, que revela uma história que primeiro se tornou notícia de jornal e, depois, literatura.
Os elogios da crítica:
«Uma história inacreditável, alicerçada numa voz lírica, que, em tom elegíaco, brilhante e por vezes irónico, traz à luz um mundo de vencidos.»
La Stampa
«Uma investigação meticulosa, baseada em fotografias, testemunhos, boletins escolares, objetos, lugares, documentos de arquivo e artigos de jornal. A autora mergulha na vida de Lucia, a mãe que não conheceu, com um olhar límpido, movida pelo desejo de compreender, não de condenar.»
L’Altro Femminile
«Tal como o quarteto napolitano de Elena Ferrante revela a realidade crua da vida das raparigas nas regiões mais pobres de Itália, este livro de Maria Grazia Calandrone analisa de forma implacável a violência com que as mulheres são tratadas em tempos sombrios.»
The Guardian
«O contexto histórico da época em que a sua mãe viveu serve como contraponto à poesia absoluta deste texto, escrito por Maria Grazia Calandrone em pouco mais de um mês, como se tivesse sido tomada por uma força transcendente, depois de empreender uma viagem às suas origens.»
Le Figaro
«Uma investigação, um longo poema, uma proeza literária.»
Le Courrier
«Uma mistura maravilhosamente bem-sucedida de suspense intimista, poético e romântico, com uma investigação meticulosa da Itália do pós-guerra.»
Le Matricule des Anges