Lucy nasceu numa ilha das Antilhas, o cenário de férias idílico para qualquer turista, mas que para ela nunca foi senão uma colónia refém do sol e da seca, uma prisão insuportável. A fim de quebrar as amarras e, ao mesmo tempo, libertar-se do amor sufocante da mãe e da cruel indiferença do pai, aos 19 anos, Lucy decide partir para Manhattan, em busca de um presente e de um futuro só seus. Começa a trabalhar como au pair na casa de uma família de classe média. Bonitos, ricos e felizes, Lewis, Mariah e as suas quatro filhas aparentam ser a família perfeita. Porém, Lucy não tarda a aperceber-se das fendas naquela fachada supostamente impecável. É que, na opulenta e vibrante Nova Iorque, como em Antígua, a desolação pode reinar à volta de uma mesa posta.
Perseguida pelo passado, limitada pela circunstância de ser uma mulher negra, Lucy procura na escrita o lugar onde pode ser o que deseja. Com um olhar perspicaz, entre a raiva e a compaixão, intolerante tanto para com os dominados como para com os dominadores, tentará reinventar-se à luz de quem foi e de quem poderá vir a ser.
Autora vencedora dos prémios: Guggenheim Award for Fiction | Prix Femina Étranger | Royal Society of Literature | Paris Review Hadada Prize
Os elogios da crítica:
«A essência do que Jamaica Kincaid escreve tem a ver com a essência do humano: o amor, a morte, a relação mãe-filha, a religiosidade que, no mundo de onde ela vem, anda a par com aquilo que muito facilmente se designa de realismo mágico; a depressão juvenil, a recusa de um destino predeterminado. E isso tudo numa linguagem em que cada palavra parece escolhida para conter o seu contrário ou levar à perceção de que essa palavra não é límpida. É mais como uma água ondulante, ou turva, ou profunda, que pode levar à perdição.»
Isabel Lucas, Público
«Se por um lado Annie John encaixa perfeitamente na estrutura clássica do Bildungsroman, reduzir este livro a uma mera variação desse arquétipo narrativo seria de uma injustiça flagrante, porque a sua riqueza literária […] está na forma como nos transporta, de forma não linear, para as exultações, agruras e angústias do crescimento psicológico. […] Memórias que oscilam entre a luz forte da felicidade e a treva das dúvidas juvenis, num registo de grande fluência rítmica e delicado lirismo, muito bem captado pela excelente tradução de Alda Rodrigues.»
José Mário Silva, Expresso
«Uma prosa incisiva e deslumbrante […]. O leitor termina Lucy com a sensação de ter conhecido uma mulher inesquecível, firme em todas as suas convicções.»
The New York Times
«Uma pérola […] Parte da grandeza deste romance reside na forma como nos faz ver […] as ligações entre aqueles de nós que têm muito e os que nunca terão o suficiente — entre uma vida condenada a uma ‘sentença de prisão perpétua’ […] e aquilo que pode ser combatido e, no mínimo, entendido.»
San Francisco Chronicle
«Apesar de ser um romance curto, a aparente simplicidade confere-lhe uma elegância despojada. A voz de Lucy é inquietante e a originalidade de Kincaid nunca foi tão evidente.»
Publishers Weekly
«Jamaica Kincaid transcende o tempo e a categorização. […] É uma das grandes cronistas das dinâmicas de família no século XX.»
The Guardian