«O coração retira-se de todas as coisas», mas Andreia C. Faria constrói histórias com os sedimentos do músculo mais plástico de todos: sonhos que assombram noites, e também alguns dias; gestos mecânicos feitos por quem trabalha e que lembram como são brutas as metáforas; um amor juvenil que sugere, como num jogo, a violência do sexo e a difícil intimidade; a visita a museus onde se descobrem afinal enganos do olhar e uma perpétua perturbação; o saque de memórias da terra, da infância, da pobreza; o desejo de regresso ao ventre materno, antídoto para certos ódios e certos amores; oráculos da carne e do espírito, que pouco consolam; uma juventude de longos cabelos e raparigas em flor; Tróia e outras guerras, outras perdas.
Aposto tudo numa elegância ferida revela-nos Andreia C. Faria como artífice de uma prosa sem paralelo na literatura portuguesa, que dá forma a um imaginário poético cru, lúgubre e melancólico, tão luminoso como a mais depurada educação sentimental. Há livros que se cosem ao tecido do mundo, e há livros que, como este, tecem o corpo do mundo.
«Numa sucessão de textos inclassificáveis, entre lirismo contemplativo e pensamento cortante, Andreia C. Faria assina uma das mais belas e poderosas obras da literatura portuguesa dos últimos anos. […] O que mais impressiona, nesta sequência de dez prosas, é o timbre da voz literária de Andreia C. Faria, diferente de tudo o que temos lido na literatura portuguesa, um ímpeto de linguagem com qualquer coisa de grandioso e implacável, na sua tremenda precisão, mas ao mesmo tempo de uma lhaneza que nos desarma.»
José Mário Silva, Expresso(sobre Aposto tudo numa elegância ferida)
«O recomeço de uma escrita que tem a capacidade de criar um mundo complexo e prodigioso […]; a apoteose de um espaço literário que produz estranheza e loucura (como, de outra maneira, o dos contos de Herberto Helder), a partir de matéria lisa e banal. Tudo aqui surge cruelmente desfigurado pela violência da escrita.»
António Guerreiro, Ípsilon/Público (sobre Clavicórdio)
«Que bom ler o que é bom. […] Cada vocábulo deixa cair na dose certa água sóbria para a palavra seguinte, e aqui estamos, com essa delicadeza, avançando nos versos com os olhos em caminho meticuloso entre pedras; ninguém cai, mas tudo o que treme merece não estar quieto. Tremer em sítios novos, eis o que certos raros e fortes versos permitem.»
Gonçalo M. Tavares, Jornal de Letras (sobre Canina)
«De vez em quando, muito de longe a longe, um milagre. Aconteceu-me com a prosa de Andreia C. Faria.»
Carlos Vaz Marques (sobre Canto do aumento)
«Esta obra é a de um corpo que se consuma no seu processo de escrita. Que se oferece à alegria possível de conhecer a matéria de que somos feitos. Andreia C. Faria é uma voz de rara consciência, honestidade e alegria desarmante no panorama literário português.»
Sandra Guerreiro Dias, Colóquio/Letras (sobre Alegria para o fim do mundo)
«Os poemas de Andreia C. Faria fazem do evidente o menos esperado, e do já visto uma possibilidade de surpresa e instigação.»
Hugo Pinto Santos, Ípsilon/Público (sobre Canina)