No Sul de Itália, na década de 1970, uma mulher gravemente doente engravida, e tem de tomar uma decisão drástica: continuar a tratar-se para sobreviver, ou interromper os tratamentos para dar à luz. O caminho que ela escolhe é condição de existência deste livro. Em Ocupação da mãe, Paola D’Agostino procura forjar uma língua partilhada entre mãe e filha, para construir a narrativa de um laço que nunca chegou a existir.
Face à ausência da voz da mãe, face ao silêncio instalado depois da sua morte, a autora cultiva a escuta e a contemplação. Coloca o ouvido na terra, procurando discernir o rumor surdo que a atravessa e unir pontos invisíveis da sua própria vida. Observa, como se perante uma fotografia, a condição feminina numa sociedade católica, conservadora, patriarcal, onde as escolhas são limitadas e os sonhos de liberdade, infindos.
Se não tivermos conhecido a nossa mãe, talvez nos falte para sempre uma língua materna, ou talvez fiquemos numa travessia sem começo nem fim. Este é um livro que põe em cena o desejo primordial de pertença e, paradoxalmente, o impulso permanente de mudança. A travessia, afinal, é contra o esquecimento.
«Ocupação da mãe é um livro em busca de uma língua para contar uma história. Na Itália dos anos 1970, um país ferozmente católico e conservador, como pode uma mãe decidir entre a sua própria vida e a da criança que virá a nascer? Numa meditação lúcida, terna e apaixonada, Paola D’Agostino percorre uma história de origem num país a duas velocidades — a dos protestos de feministas radicais e a do Sul pobre, rural, onde nenhum desses ecos chegava. Eis uma narrativa tão extraordinariamente complexa como a pergunta que se propõe pensar: o que é afinal o amor e a liberdade em condições impossíveis?»
Tatiana Faia
«Este livro existe porque uma mulher teve a coragem de escolher entre o amor e a morte, e outra mulher, entre a palavra e o silêncio. Em Ocupação da mãe, tece-se uma busca delicada pelos vestígios da História e da memória, enquanto se trava uma luta a favor da vida das mulheres e dos seus direitos, nomeadamente no que ao aborto diz respeito. É um livro transformador: para as mulheres e, num mundo perfeito, para qualquer pessoa.»
Inês Fonseca Santos
«A maternidade deve ser uma escolha livre. Não o sendo, o que é? Uma mera condição? Um fardo? Paola D’Agostino escreve sobre a liberdade das mulheres, de todos nós. Escreve sobre o peso das escolhas alheias, da nossa mãe, do nosso pai, escolhas que carregamos pela vida fora e que criam em nós obrigações, anseios, possibilidades. Escreve sobre o sacrifício, sobre a ausência. E escreve uma belíssima carta de amor à mãe.»
Paulo Faria