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«As crianças crescem hoje num mundo muito rápido, desde cedo sentem que têm de ser perfeitas ou bem-sucedidas. Isso pode fragilizar a autoestima»

, na categoria: Booksmile, Educação, Entrevistas

Desde muito cedo que Iris Perez Bonaventura teve interesse em perceber como as experiências da infância moldam a forma como se cresce, porque acredita que ajudar uma criança a sentir-se compreendida pode mudar o rumo da sua vida futura. E como cada vez vê mais crianças inseguras, com medo de falhar, de não serem suficientes ou de não corresponderem às expectativas, a autora decidiu escrever este livro para ajudar os mais novos a acreditarem mais em si. Com ilustrações de Patricia Carretero Aguero, Olá, Autoestima! tem todas as ferramentas que se precisa para fortalecer a confiança.

 

Quem és tu? O que te levou a ser psicóloga e a trabalhar com crianças?

Desde muito nova tive interesse em perceber como as experiências da infância moldam a forma como crescemos, porque acredito profundamente que ajudar uma criança a sentir-se compreendida pode mudar o rumo da sua vida futura. Por isso quis seguir psicologia. Exerço como psicóloga clínica na prevenção, avaliação e tratamento de dificuldades emocionais e comportamentais em crianças, adolescentes e jovens. Licenciei-me em Psicologia na Universidade Autónoma de Barcelona e, posteriormente, obtive o título de Especialista em Psicologia Clínica após realizar a residência hospitalar como Psicóloga Interna Residente. Entre doutoramento e outros estudos sou membro ativo da Associação Americana de Psicologia e frequentei diversos cursos de especialização na Universidade de Harvard.

O que te levou a escrever este livro?

Cada vez vejo mais crianças inseguras, com medo de falhar, de não serem suficientes ou de não corresponderem às expectativas. Quis criar um livro que ajudasse todos os miúdos a perceber que o seu valor não depende da opinião dos outros, mas da capacidade de acreditarem em si próprios, apesar das dificuldades da vida.

 

Que livro é este e o que as crianças podem esperar dele?

O livro Olá, Autoestima! baseia-se em estratégias simples, próximas, reais e fundamentadas na evidência científica para ajudar as crianças a desenvolver maior confiança em si mesmas e a lidar de forma mais saudável com os desafios do dia a dia. É um livro no qual as crianças se podem reconhecer facilmente, porque está repleto de exemplos e situações do quotidiano. Ao longo da leitura, poderão compreender melhor os seus sentimentos, aprender a lidar com inseguranças e descobrir a importância de gostarem de si próprias tal como são.

 

Porque é que a autoestima das crianças é cada vez mais frágil?

As crianças crescem hoje num mundo muito rápido, exigente e competitivo, onde existe uma comparação constante e uma enorme pressão para corresponder a determinados padrões. Desde muito cedo, sentem que têm de ser perfeitas, populares ou bem-sucedidas. Tudo isto pode fragilizar a autoestima e fazê-las acreditar que nunca são suficientemente boas.

«Depois de veres esse conteúdo (nas redes sociais), sentes-te melhor ou pior contigo próprio?» A questão não é apenas se entretém, mas sobretudo como te faz sentir.

 

Os pais têm um papel fundamental, mas não são os únicos. Como é que a sociedade pode ajudar mais?

Os pais, as famílias, as escolas, os professores, os amigos e a comunidade influenciam profundamente a forma como as crianças se veem a si próprias. Precisamos de criar ambientes mais empáticos, onde elas se sintam seguras para expressar emoções, ideias e opiniões, sem receio de serem julgadas ou constantemente comparadas com os outros ou com um ideal de perfeição muitas vezes irreal.

Como tirar partido das redes sociais?

As redes sociais podem ter um lado positivo quando usadas com equilíbrio e consciência. É importante ensinar as crianças a desenvolver pensamento crítico, a perceber que nem tudo o que veem corresponde à realidade e a seguir conteúdos que as façam sentir-se bem consigo próprias. Costumo fazer-lhes uma pergunta muito simples: «Depois de veres esse conteúdo, sentes-te melhor ou pior contigo próprio?» Porque a questão não é apenas se entretém, mas sobretudo como te faz sentir.

 

Como poderá este livro ser trabalhado nas escolas?

Este livro pode ser uma ferramenta muito útil nas escolas, especialmente com crianças entre os 8 e os 12 anos, sendo particularmente adequado por volta dos 10 anos. Através dele, podem surgir conversas muito importantes sobre a forma como as crianças se veem a si próprias, aquilo de que gostam em si mesmas, o que gostariam de melhorar, como vivem as relações com os outros e como enfrentam as dificuldades do dia a dia. Pode ser trabalhado através de leituras orientadas, exercícios práticos, atividades emocionais e momentos de partilha. Além disso, permite criar debates muito enriquecedores e ajudar as crianças a sentirem-se mais compreendidas, confiantes e seguras.

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