Desfilar pela História propõe um sistema gráfico em que cada época da história da moda — da Pré-História ao século XXI — é tratada com uma identidade visual própria. Paleta de cor, padrões, tipografia de display e elementos gráficos decorativos são calibrados para evocar a estética de cada período.
De época
As páginas dedicadas ao Antigo Egito convocam frisos de hieróglifos, texturas de papiro e uma paleta de ocres, turquesa e ouro, fazendo referência às reconhecíveis figuras de Nefertiti e Tutankhamon.
A Grécia Antiga é evocada através de silhuetas de cerâmica de figuras negras e ornamentos de meandros clássicos.
A Idade Média apresenta tipografia gótica em blackletter, ancorada em motivos de iluminuras e padrões heráldicos em tons de púrpura e carmim.
A Era Vitoriana e a Revolução Industrial trazem composições mais densas, com gravuras técnicas e molduras ornamentais que aludem à imprensa tipográfica do século XIX.
À entrada do século XX, nas páginas em que vemos “Tecer a Liberdade”, ilustração e texto dialogam intimamente para aludir à dimensão social progressista dos movimentos de emancipação feminina, que a moda também ajudou a impulsionar.
Paratextos, ilustração e tipografia
O índice, composto numa grelha De Stijl, homenageia Yves Saint Laurent e a sua coleção Mondrian de 1965 — um momento em que a moda se apropriou da linguagem da arte de vanguarda para redefinir a silhueta feminina e afirmar o vestuário como expressão cultural autónoma.
As ilustrações, de cariz figurativo e narrativo, integram-se organicamente numa grelha editorial inspirada na linguagem das grandes revistas de moda, expandindo e amplificando os campos narrativo e pedagógico do texto — abrindo caminhos de significado que vão além do que está escrito.
A tipografia foi escolhida de forma a garantir acessibilidade e fluidez de leitura, independentemente da variação estética entre capítulos. O livro afirma-se como objeto editorial total em que design, ilustração e conteúdo partilham a mesma lógica autoral: a convicção de que a moda reflete nuances da identidade humana — individual e coletiva — e de que conhecer a história das roupas que vestimos é também compreender quem somos.
Raquel Costa, ilustradora e designer




