O palco é Lisboa, o cenário principal, um consultório de psiquiatria: poltrona, sofá baixo de tom amarelo-ocre e tapete garrido cuja singular relevância para a história é a de aludir aos labirintos em que as suas personagens se veem e verão enredadas. E são algumas as personagens e muitos os labirintos através dos quais António, o psiquiatra, as irá guiar, como Ariadne com o seu fio. A segurar a outra ponta, Eduardo, um padre que já não encontra consolo nesse lugar de fé, e Simone, arquiteta a braços com uma carreira e uma família em ruínas. Deste elenco, fazem ainda parte Tomás, Alice, Camila, Isabel e Bárbara, testemunhas de que o Diabo anda sempre à espreita.
Depois da biografia de Maria Teresa Horta, Patrícia Reis regressa ao romance com O lugar da incerteza, um livro que é também uma reflexão sobre a fé, os Homens e as teias em que se deixam enredar, por ser da sua natureza essa incapacidade de se manterem acima das coisas terrenas.
Elogios da crítica:
«Os livros de Patrícia Reis sempre me levam para o intrincado das relações […]. São livros que buscam entender o dia de hoje. […] O que mais me comove é o modo como alguém sempre entrega a sua vida por certa decência, uma educação qualquer que vai impedindo que se revolte por completo e mude tudo. Subitamente, algo inelutável acontece e tanto penaliza quanto liberta as personagens. Liberta-as umas das outras, desmascaradas pelo narrador de suas vidas cheias de cansaços e amores verdadeiros ou aparentes.»
Valter Hugo Mãe, Jornal de Letras
«Patrícia Reis movimenta as suas personagens com pinças, num trabalho de escrita rigoroso, onde nunca há emoção a mais.»
Isabel Lucas, Público
«Eivados de amor e morte, de quase-felicidade que esgota as personagens, incapazes de uma realização autêntica, os romances de Patrícia Reis são atravessados por uma tristeza profunda, uma tristeza lírica e nostálgica, que leva o leitor pela mão a um ninho de dolência, de mágoa, de sofrimento psicológico, mas não de amargura ou de revolta. Sente-se a tristeza a evolar-se das páginas de Patrícia Reis, passando para o coração do leitor.»
Miguel Real, Jornal de Letras
«A prosa cuidada de Patrícia Reis adequa-se […] a uma espécie de sfumato.»
José Mário Silva
«Patrícia Reis é muito hábil e delicada na forma como expõe o horror, recriando atmosferas verosímeis no coração dos despojos. […] Lá, onde quase todos tropeçam nas “ideias”, sem cuidar do acerto da língua, [Patrícia Reis] tem voz própria. Não é a primeira vez que o digo, mas certas evidências ganham em ser repetidas.»
Eduardo Pitta, Sábado
«A autora subiu a fasquia e ultrapassou-a. […] Passo a passo, foi pisando terreno […] tendo a clara noção dos seus limites: escrever sem fazer alarido do que ia ficcionando.»
Carlos Câmara Leme, Colóquio Letras
«Foi uma grande sorte Maria Teresa Horta ter encontrado a sua biógrafa certa. Alguém que ao mesmo tempo lhe escreve a vida e lhe esclarece a obra colocando-a num lugar distinto e cimeiro. Única entre nós e entre muitas. Patrícia Reis merece aplauso.»
Lídia Jorge (sobre A Desobediente – Biografia de Maria Teresa Horta)