Voo, mergulho, devaneio, descoberta – a literatura pode ser tudo isto. E tudo isto está na Alfaguara, selo editorial com um cunho inconfundível, que imagina pontes entre o clássico e o contemporâneo, dando a conhecer algumas das melhores obras da literatura moderna e atual.
Na Alfaguara, não temos a certeza de que existam livros de outono ou de primavera; livros para ler na praia ou à lareira; livros que apenas servem um certo perfil de leitor. Em literatura, grandes certezas ou rigorosas dicotomias raramente são benévolas.
Move-nos o frémito da novidade, a vertigem da surpresa. É esse o impulso da nova coleção, ousamos quebrar a esquadria a preto e branco para deixar entrar a cor.
Com Tatiana Țîbuleac e Daniela Krien, a Alfaguara inaugura a coleção Alfaguara de Verão, um novo espaço de descoberta literária que, a cada edição, reunirá dois títulos escolhidos para acompanhar os leitores durante a estação. A estreia faz-se com O verão em que a minha mãe teve os olhos verdes e A minha terceira vida, duas obras que exploram, por caminhos distintos, a perda, a memória e a possibilidade de recomeçar.
Mantendo o compromisso da chancela com algumas das vozes mais relevantes da literatura moderna e contemporânea, o novo projeto propõe-se destacar, a cada verão, obras de forte impacto literário, capazes de ampliar as fronteiras da ficção e de proporcionar novas descobertas aos leitores.
“Rasgamos a tradicional esquadria preta da chancela para deixar entrar a cor e apresentar dois livros a cada verão”, explica Clara Capitão, editora da Alfaguara. “Não poderíamos ter escolhido um melhor livro para inaugurar esta nova coleção”, acrescenta, referindo-se a O verão em que a minha mãe teve os olhos verdes, romance que faz “um belo dueto com A minha terceira vida”.
Romance de despedida
Publicado originalmente em 2017 e distinguido com vários prémios internacionais, O verão em que a minha mãe teve os olhos verdes acompanha Aleksy, um artista atormentado que revisita o último verão passado com a mãe, numa casa junto ao mar, no norte de França. Entre memórias de conflito, ressentimento e afeto, Tatiana Țîbuleac constrói uma história de reconciliação tardia e de despedida. “Este é um texto que cheira a verão”, afirma Clara Capitão. “Abundam os campos de girassóis, as espigas de milho douradas, as frutas maduras, castelos de areia e ondas espumosas. Mas é também a história de um reencontro irrepetível entre uma mãe e um filho que finalmente se reconhecem e se despedem.”
E depois do fim?
O segundo título da coleção, A minha terceira vida, marca a estreia em Portugal de Daniela Krien, uma das mais reconhecidas vozes da literatura alemã contemporânea. O romance acompanha Linda, uma mulher que, após a morte trágica da filha, abandona a vida que conhecia para se refugiar no campo, procurando reinventar-se longe de tudo o que a definia.
Para Madalena Alfaia, editora da Alfaguara, a protagonista encarna uma das questões centrais do romance: “Linda ousa forjar para si mesma uma terceira vida: não um desvio ou uma declinação da sua existência de todos os dias, mas a prática radical de transformar por completo cada um dos traços que outrora a definiam. Será este, afinal, um poder exclusivo da ficção?”
A editora destaca ainda a dimensão universal da obra: “Como se depois do fim pudesse haver lugar a um verdadeiro recomeço. Ou como se um mergulho de cabeça no desconhecido tivesse o condão de nos transportar para mais perto daqueles que perdemos. Daniela Krien revela-nos, com este livro, as mil faces da inquietação humana.”
Se, por fora, a coleção quebra a identidade gráfica habitual da chancela para acolher a cor e a luminosidade do verão, por dentro mantém a mesma ambição literária. Como sublinha Madalena Alfaia, “prosseguimos em busca de uma narrativa do mundo através do seu instrumento mais poderoso: a literatura”.






