Lugar mítico da infância, mas também da loucura. Arquivo misterioso da nossa história, e da sua efabulação. Abrigo ingénuo, ou esconderijo de fantasmas e fantasias. Quantas vidas cabem num sótão? Entre o pó e os ruídos da madeira, Madalena Sá Fernandes revisita episódios íntimos, memórias de violência e relações que deixaram marcas, balança entre a aprendizagem da autonomia e a ternura da maternidade, mostra como o corpo aprende a adaptar-se à solidão.
Espaço inclinado entre o chão e o céu, é no sótão que se acumulam objetos sem uso, histórias que ninguém conhece, fotografias por arrumar, medos que persistem. Mergulhando neste lugar de clausura e de criação, de vigilância e de liberdade, a autora interroga a própria ideia de casa: abrigo, prisão, promessa, ficção. Madalena Sá Fernandes testa a resistência de soalhos e vigas como se fossem a engrenagem da memória, espreita da janela alta as copas das árvores para derrotar o medo, entrega-se ao silêncio para que se escute a sua escrita. Um sótão, afinal, nunca está vazio.
Arquitetado sobre a ideia de um movimento perpétuo entre passado e futuro – entre as casas que herdamos, as que tentamos construir e a possibilidade, sempre incerta, de encontrarmos um lugar onde por fim possamos ficar –, Sótão inscreve-se na tradição das narrativas que são uma chave para o presente que partilhamos.
Sobre Leme:
«Entre a autobiografia e a ficção, o mundo da memória aí está, a avançar por entre relatos fortes e violentos, mas também a avançar com súbitas delicadezas […]. Uma certa forma de reportagem literária onde o que é reportado, com a subjetividade humana, é o que está mais próximo: o mundo da casa e da memória.»
Gonçalo M. Tavares
«Ao mesmo tempo fria e terna. Poucos conseguiriam contar assim a sua infância.»
Maria Filomena Mónica
«Este livro marca e veio para ficar.»
Tânia Ganho
«Madalena Sá Fernandes arranca beleza da brutalidade para redigir o trauma e retomar o leme da sua vida.»
Giovana Madalosso
«O livro de Madalena Sá Fernandes é de uma força incomum.»
Tatiana Salem Levy
«A cada fragmento vertiginoso deste livro, somos tragados por uma escrita que urge […]. Neste Leme, o silêncio […] se expande para se transformar em literatura.»
Aline Bei
Sobre Deriva:
«Deriva é uma montra de virtuosismo, humor e sensibilidade.»
Afonso Cruz
«Faz tempo que leio tudo o que Madalena escreve, de cá do outro lado do oceano. Ela consegue erigir uma ilha de poesia em meio ao oceano insosso das informações e análises. […] Gosto da importância que Madalena dá às coisas sem importância alguma. Mas gosto sobretudo da desimportância que dá a si mesma, e confessa o inconfessável. […] Madalena irá se tornando, ao longo do livro, sua amiga de longa data. Humana, demasiado humana, sua franqueza comove, num tempo em que já ninguém parece jogar limpo.»
Gregório Duvivier