Alessandra sempre quis mais do que a vida lhe oferecia: construindo a sua vida interior à imagem da mãe – artista, livre, apaixonada -, confessa-nos o que pode e sonha uma mulher. Alba de Céspedes, autora de O caderno proibido, deslumbra-nos com um clássico da literatura do pós-guerra.
A infância de Alessandra, em Roma, é marcada pela lenda da mãe, Eleonora, mulher prodigiosa que sonhava ser uma pianista célebre, mas foi somente uma professora de piano infeliz por se ter casado com um homem sem interesse. Após a morte da mãe, Alessandra muda-se para uma casa de família longe da capital. Regressa a Roma quando deflagra a guerra. Conhece então Francesco, um antifascista com quem se casa, e descobre o frémito de colaborar na resistência clandestina. Sente-se, contudo, sempre invisível, e confessa: «Quem conhece estas páginas já sabe que ficar a uma janela sozinha e em silêncio é, desde a minha mais remota infância, uma das minhas condições de felicidade.»
Nas palavras dela escrutina impiedosamente o casamento, o mal-estar feminino, o jugo da domesticidade conservadora, o negrume da vida em guerra. Lembrando as vozes literárias de Morante, Ginzburg, Woolf ou Duras, encontramos aqui todo o esplendor da escrita refinada e do imaginário subversivo de Alba de Céspedes, uma das mais intrigantes escritoras do século XX.
Os elogios da crítica:
«Eleonora e Alessandra impressionaram-me profundamente. São parte fulcral de um romance que me parece uma obra de grande inteligência literária. […] ‘Ponham-me bela.’ Como chorei com essas palavras. A frase permaneceu na minha memória como um grito não de vida, mas de morte.»
Elena Ferrante
«Uma soberba história feminista sobre o amor, que evoca a ideia de ‘um quarto só seu’, de Virginia Woolf, e é uma verdadeira obra-prima da ficção.»
El País
«Alba de Céspedes foi uma grande escritora, subversiva, censurada pelos fascistas, que se recusou a participar em prémios literários, uma escritora à frente do seu tempo. Trata-se de uma das personalidades mais cosmopolitas, incendiárias, perspicazes e negligenciadas de Itália.»
The Paris Review
«A obra de Alba de Céspedes não perdeu uma centelha da sua força subversiva.»
The New York Times Book Review
«Urge redescobrir Alba de Cespédes. […] Escrito no pós-guerra e em desafio ao desejo patriarcal-fascista de manter as esposas confinadas ao lar, Nas palavras dela retrata a vida das mulheres a partir da sua própria perspetiva, entediadas de morte com maridos a quem a sociedade exigia frieza. A escritora mostra – primeiro através dos olhos de uma criança impressionantemente inteligente, depois através do amor por um homem – a distância e a incompreensão entre os géneros [e] como o patriarcado havia congelado cada mulher num papel sufocante.»
Les Inrockuptibles
«O canto de sereia de Alba de Céspedes dá voz à mãe de todas as feministas.»
La Stampa
«Um romance que merece não apenas uma atenção especial a esta escritora esquecida, mas também um lugar de destaque no cânone da literatura feminina.»
The Chicago Review of Books