Conversámos com Anabela Lopes, autora do thriller Castelo de Cartas, para mergulhar nas origens do seu percurso literário, nas influências que moldaram a sua escrita e no fascínio pelo lado mais obscuro da mente humana que atravessa a sua obra. Entre memórias de leituras marcantes, processos criativos pouco convencionais e a construção de atmosferas densas e inquietantes, a autora revela-nos como nasceu esta história e o universo que a sustenta, onde o mistério, as personagens e os espaços ganham vida própria.
Lembras-te do primeiro livro que leste que sentiste como uma viagem sem retorno para o mundo da literatura?
Sem dúvida nenhuma: Harry Potter. Lembro-me muito bem das emoções que senti, da antecipação por um livro novo, de rir e chorar com um mundo que não era o meu mas ao qual queria pertencer. Sou, até hoje, uma Potterhead.
Desde aí tornaste-te uma leitora ávida. Quais são as tuas influências literárias?
Já o era antes, sempre fui, desde que sei ler. Mas Harry Potter é uma dessas influências. Hoje em dia, há vários outros autores que admiro: Carlos Ruiz Záfon e Valérie Perrin, por exemplo. Liz Nugent e Lisa Jewell na área do thriller psicológico. Miguel d’Alte, Susana Amaro Velho e Tânia Ganho nos autores nacionais. Só para nomear alguns.
E como surgiu a escrita na tua vida? Qual foi o primeiro texto que escreveste?
A ideia de escrever surgiu também muito cedo, mas a certeza de que queria escrever um livro surgiu na adolescência, fruto das várias fantasias que lia na altura. Foi justamente por aí que comecei, com uma fantasia juvenil.
Quem é a Anabela escritora? Como acontece o planeamento da história?
A Anabela escritora é caótica mas focada num único objetivo: o final. O planeamento acontece na minha cabeça nos momentos em que não estou a escrever. Quando me sento no computador, já sei o que irá sair. Não volto atrás para retificar nada, levo a história até ao fim, que se vai revelando à medida que a escrevo. Só quando chego ao final é que volto ao início e a partir daí é quase uma descoberta. Para já, tem funcionado.
Castelo de Cartas é um thriller. O que te atrai neste género?
Atrai-me o lado negro da mente humana, quem realmente somos quando ninguém está a ver. Sou convicta de que ninguém nos conhece na totalidade. De que forma as circunstâncias, o ambientes e as experiências pessoais nos levam a cometer certas ações? É isso que gosto de explorar. Os meus thrillers são, acima de tudo, sobre personagens.
O Hotel Esperança, onde se passa a narrativa, torna-se, também, numa personagem. O que o inspirou?
Tenho um certo fascínio pelas subtilezas do sobrenatural. Em Portugal há alguns sanatórios abandonados, um deles foi também recuperado e transformado num hotel, e a ideia surgiu daí. Há uns anos, fiz uma excursão “paranormal” numa antiga prisão, só à luz das lanternas, e aquilo que vivi e senti foi também uma inspiração. Este tipo de espaços, com uma carga espiritual mais pesada, tem a sua magia e quis trazer isso para Castelo de Cartas. O Hotel Esperança é um lugar de luxo e imperiosidade, sim, mas também um local de lendas e mitos, e gostei muito de brincar com isso.







